quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Tesouros de uma vida


Ao longo da vida, qual alfarrabista de bairro judeu, juntamos lembranças, “tralhas” que para outros são sem sentido, músicas que nos dizem tanto, mas que, mesmo que a nossa vida se revolva e troque de direcção milhentas vezes...sempre nos acompanham como se fossem o que de mais precioso nos pertence, o nosso “tesouro”, o que nos define enquanto pessoas, o que nos desvenda enquanto alma, em última instância.
Hoje, porque os tempos evoluem, é mais fácil amenizar-se o eterno conflito de gerações, porque se fala, se diz sem “engulhos” o que nos vai na alma sem o risco de parecermos fraquejar na rocha sólida e âncora férrea que temos que ser para os nossos filhos. E se transportamos memórias beneplácitas....também levamos mágoas do que ficou por dizer, daquilo que sempre se nos aflorou aos lábios...mas não fomos capazes de o exprimir, por esta ou aquela razão. Uma das coisas de que me vão falando os “rapazes”, é daquilo que ficou por dizer aos seus pais, daquilo que temem ter feito para os magoar ou contariar, em suma...que não tenham sido os filhos que eles esperariam que fossem.
Mas, afirmo em plena certeza: não poderiam estar mais equivocados!
Foram os filhos, exactamente os filhos, que os pais gostariam que tivessem sido. Estejam eles onde estiverem, estarão a olhá-los com um incomensurável orgulho...e, quiça, a penalizarem-me pelo que ficou por dizer, também.
Tenho um amigo que guarda, qual tesouro e relíquia, um disco de 45 rotações que o seu pai, em severidade quebrada pela época natalícia, lhe enviou para Bissau no ano de 72.
Se bem que, na altura, não houvesse no sítio em que se encontrava um simples gira-discos para o ouvir, tem sido, ao longo dos anos e sempre que esta época se aproxima, o seu “Santo Graal” cada vez que lhe assomam as saudades ou, por motivos vários, duvida de si mesmo e do valor que tinha, tem, terá, como homem e do que significaria para o seu pai. Quando o ouve, confessou-me, chora copiosamente e fica trémulo...mas não vacila nunca, para orgulho do seu pai, no homem que sempre quis e fez por ser.
Eu ouvi...e chorei também!
Bom Natal, rapazes.
“♪♫Tu que estás longe de teus amigos,
De tua terra e de teu lar,
E tens dor, dor no alma,
Porque não deixas de pensar.
Tu que esta noite não podes deixar de recordar,
Quero que saibas, que aqui em nossa mesa,
Para ti tens teu lugar.
Por isso e muitas coisas mais,
Vem a para casa este Natal.
Por isso e muitas coisas mais,
Vem para casa este Natal.
Tu que recordas talvez a tua mãe
Ou um filho que não está,
Quero que saibas, que nesta noite,
Ele te acompanhará
Não vás sozinho por essas ruas,
querendo sofrer
Vem conosco e a nosso lado tenta sorrir
Por isso e muitas coisas mais,
Vem para casa este Natal.
Tu que tens vivido sempre de costas
Sem perdoar erro nenhum,
Agora é momento de nos reencontrarmos,
Vem para casa, faz favor.
Agora já é tempo, de que falemos,
Pois nada se perdeu,
Nestes dias, todo se esquece, e nada sucedeu
Por isso e muitas coisas mais,
Vem a para casa este Natal.
Por isso e muitas coisas mais...
...vem para casa este Natal.♪♫” 


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