sábado, 26 de setembro de 2015

Os maiores dias da minha vida

Ah, Deus meu....como era terrível aquele calor abafado dos trópicos. Tudo, tudo, punha à prova a nossa vontade. A Morte, que sempre nos rondava a cada passo, tudo fazia para nos levar com ela.
Como nos embalava na sonolência dos solavancos da picada, como nos dobrava a vontade com aquela sede de água limpa dos ribeiros frescos da nossa terra, como nos dispersava a atenção nos zumbidos infindos dos mosquitos que não nos deixavam dormir um par de horas descansados, como nos amolecia o corpo com a febre e desarranjo interior e, maldita, como nos oferecia os braços com promessas de calma... quando sangrávamos no capim!
Naquela viagem para Mueda, quando o rebentamento de uma mina estilhaçou o primeiro veículo da coluna, nos ensurdeceu e nos fez saltar como molas para a defesa...soube que a mim, aos meus irmãos que lutavam ao meu lado, nunca me levaria , traidora, num momento de engano.
Eu viveria, para contar!
Naquele dia, e em tantos outros que se seguiram, em que pusemos toda a nossa coragem, vontade e querer, lealdade e força, juventude e vida ao serviço da nossa Pátria, ganhei o direito de viver e venci a Morte...na ponta de um dilagrama!

((Foto: 3ª CCMDS,Gatos/ Moçambique, 1971)



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